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O resgate da memória: o trabalho das hemerotecas na preservação de jornais antigos

O processo de restauração, catalogação e armazenamento de publicações periódicas garante o acesso público à pesquisa e protege a história cotidiana.

Atualizado
27 de setembro de 2026
Revisão
Tiago Antunes
Leitura
3 min
Profissional com luvas brancas manuseia páginas amareladas de jornal antigo sobre uma mesa de luz.

As hemerotecas cumprem um papel silencioso e contínuo na guarda da memória de uma sociedade. Esses espaços dedicam-se a reunir, tratar e disponibilizar coleções de jornais e revistas que registraram o cotidiano de outras épocas. Como o papel de imprensa sempre teve a característica de material descartável, o resgate dessas publicações exige métodos precisos para evitar a perda definitiva da informação. O trabalho envolve desde a higienização folha por folha até o controle rigoroso do ambiente onde os volumes descansam.

A etapa inicial na preservação jornais antigos

Quando uma coleção periódica chega a um arquivo, o primeiro passo é avaliar o grau de deterioração do material. Profissionais especializados realizam uma triagem cuidadosa, separando os exemplares que apresentam risco de contaminação por fungos ou insetos. Essa fase de diagnóstico orienta quais intervenções são mais urgentes para estabilizar o estado físico da publicação.

A limpeza ocorre logo em seguida, utilizando trinchas macias e aspiradores com filtros específicos para retirar a poeira acumulada ao longo das décadas. Pequenos reparos começam a ser feitos nessa etapa, como a remoção de grampos metálicos oxidados, que aceleram a degradação das páginas ao redor. O manuseio requer paciência e ferramentas delicadas para não agravar rasgos já existentes.

A restauração física e o tratamento do papel

O jornal tradicional sofre com o envelhecimento rápido devido à própria composição de sua matéria-prima. O processo de fabricação comum utiliza uma alta concentração de celulose, que reage com a luz e a umidade, tornando a folha quebradiça e amarelada. Para conter esse desgaste, as equipes de conservação aplicam banhos de desacidificação, uma técnica que neutraliza os ácidos presentes na trama e devolve certa flexibilidade ao documento.

Nos casos em que o suporte físico já perdeu partes significativas, os restauradores realizam enxertos com papéis japoneses, conhecidos por sua resistência e leveza. Uma cola especial, à base de metilcelulose e totalmente reversível, fixa esses remendos sem alterar as propriedades originais da obra. Esse cuidado garante que pesquisadores futuros possam manusear o volume sem provocar novos danos estruturais.

Estratégias na preservação jornais antigos

Após o tratamento físico, a catalogação organiza o acervo para facilitar a busca pelos usuários. Cada título recebe uma ficha detalhada com informações sobre a periodicidade, a região de circulação e as lacunas existentes na coleção. O arquivamento definitivo ocorre em caixas confeccionadas com papelão livre de ácido, moldadas sob medida para evitar que os encadernados fiquem soltos ou sofram pressão excessiva nas prateleiras.

O ambiente de guarda demanda um controle climático constante, mantendo a temperatura e a umidade relativa do ar em níveis estáveis. Oscilações bruscas no clima interno do prédio são as principais inimigas de grandes acervos públicos, pois favorecem a proliferação de microrganismos. Sistemas de climatização e desumidificadores operam diariamente para assegurar a longevidade dos arquivos de forma ininterrupta.

Digitalização e acesso à pesquisa

A tecnologia atua como aliada direta na difusão da pesquisa histórica, reduzindo a necessidade de contato direto com o original fragilizado. Câmeras de alta resolução capturam as páginas abertas em suportes em formato de “V”, que protegem a lombada de aberturas forçadas. As imagens geradas passam por um software de reconhecimento óptico de caracteres, o que permite buscar palavras específicas dentro do texto de décadas passadas.

Ainda que a tela do computador ofereça a comodidade da leitura à distância, o arquivo físico permanece guardado e monitorado. O formato digital serve como uma cópia de segurança e uma ferramenta de acesso em massa, mas a materialidade do jornal impresso continua sendo a fonte primária de confirmação. O ciclo de cuidados assegura que o registro diário dos acontecimentos mantenha sua integridade para as próximas gerações.

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